sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Movimento de eleições diretas no Palmeiras recebe apoio do ministro Aldo Rebelo


O Movimento Acorda Palmeiras divulgou nesta sexta-feira, 10, uma carta reafirmando a necessidade de que o clube passe por um processo de democratização, com a aprovação de eleições diretas (pelo sócio) para presidente do clube. (Atualmente, o presidente é escolhido pelos Conselheiros do clube.)

Na carta, de autoria do próprio movimento, há uma assinatura de apoio do ministro do esporte Aldo Rebelo.

O tema se estende já há mais de 2 anos no Palmeiras, mas cresceu em visibilidade com manifestos do torcedor comum, organizados através das redes sociais. A página das Diretas Já no Palmeiras já conta com o apoio de mais de 10mil torcedores e o twitter com mais de 6mil seguidores.

Uma grande manifestação está sendo planejada para o dia 19 de agosto, mas a liderança do movimento ainda não divulgou detalhes referentes a ação.

A íntegra da carta segue copiada abaixo:

Esperança, coragem e determinação, muita determinação para trabalhar e construir algo grandioso. Estes sentimentos alimentaram o idealismo dos imigrantes italianos que, no início do século passado, chegaram ao Brasil e fundaram o Palestra Italia.

Sem imaginar, eles criaram muito mais do que um clube. Construíram antes de tudo, um amálgama entre as duas nações, inaugurando uma das mais belas páginas da história do futebol mundial.
Mesmo ameaçado por manobras ardilosas e pela insanidade despertada pela Segunda Guerra, o velho Palestra soube ressurgir mais forte, invencível até, e cada vez mais brasileiro, pare delírio dos seus e desespero dos adversários. Nascido como um clube de colônia, o Palmeiras soube extravasar essa origem a ponto de ter em sua história o orgulho supremo de representar a própria Seleção Brasileira em campo e exaltar o nome do país em seu hino.

Definitivamente, o Palmeiras não é um clube qualquer. Nosso panteão de heróis honrou nosso manto e contribuiu para erigir a nossa história. A nossos craques coube o labor de reinventar o espetáculo nos gramados, tão belo e superior que sequer poderia ser chamado de time, e sim Academia. Nossa tradição tem o sangue e suor de cada italiano e brasileiro que defendeu o manto esmeraldino com amor patriótico. O Palmeiras possui gente de todas as cores, origens, credos, classes sociais que se unem para vibrar, sofrer, chorar e sorrir por uma mesma paixão.

Aquele tipo de vínculo único e inquebrantável que só o torcedor conhece – o amor ao pavilhão do seu clube – merece ser homenageado e respeitado. Mas, infelizmente, não é o que acontece hoje no imenso Palmeiras.

O Palmeiras é um clube brasileiro, do povo. Um time de 17 milhões que deve agora navegar pelos mares da democracia, ciente da responsabilidade que tem sobre a alegria e confiança de todos os seus. Apenas assim o fará avançar livremente por um futuro que se desenhará ainda mais brilhante e vitorioso do que seu épico passado. Determinado no desejo de voltar ao cume das vitórias, quer alcançar esse posto de mãos dadas a cada torcedor, escalando para uma condução de plena comunhão com os anseios de cada abnegado palestrino.

Hoje, ao contrário, o destino do clube que movimenta milhões de almas é decidido por não mais que três centenas de conselheiros. E pior, em um processo que, na maioria das vezes, está sujeito às vicissitudes inerentes ao jogo antidemocrático: disputa cega de facções, de egos, troca de favores, inoperância, prevalência de interesses pessoais e o sem número de problemas que todos sabemos.
É preciso superar esta lógica que vem entravando o nosso presente. O Palmeiras precisa se abrir, se democratizar, se livrar dos grilhões do atraso que ora ameaçam a prosperidade de seu futuro.

É preciso grandeza para admitir: o Palmeiras tem que mudar, porque o Brasil e o mundo mudaram. E a roda da História gira inexoravelmente, independente de vontades individuais ou maiorias de ocasião. Não mudar pressupões colocar em risco a imponência adquirida ao longo de quase um século, ficando à margem das grandes conquistas e do crescimento nas receitas do futebol, que tem projetado para outros clubes um futuro muito mais grandioso.

O Palmeiras precisa do palmeirense para seguir forte. A grandeza que queremos é de aceitar que aqueles que vivem o Palmeiras – e não do Palmeiras – devem tomar parte nas decisões. Devem ter vez e devem ter voz. Devem ter o direito de votar e eleger seus dirigentes.
Pela grandeza do Palmeiras, Diretas Já!

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